Gabriel o Pensandor responde aos activistas e seguidores sobre boicote do Festival “Sons do Atlântico” em Angola

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Depois de anunciada a vinda do musico Gabriel o Pensador em Angola para a 4ª Edição dos “Sons do Atlântico” (2012/a acontecer no dia 5 de Março na Baía de Luanda as 18:00, muitos foram os angolanos e brasileiros que de forma directa mostraram algum descontentamento sobre as questões politicas vêem acontecendo em Angola com particular realce ao caso dos 15+2.
Sons do Atlântico
As manifestações começaram a partir de uma carta aberta divulgada na pagina “Central Angola” e que contou com mais de 50 Subscritores de varias áreas da sociedade e muitas partilhas nas redes sociais, onde o objectivo foi pedir ao musico que cancelasse a vinda em Angola em protesto as detenções e julgamentos dos activistas. Alguns seguidores foram além das partilhas e a partir da pagina oficial de facebook do musico decidiram reiterar tal propósito que foi prontamente respondida pelo musico conforme mostra imagem a seguir.
Gabriel Pensador

Logo a seguir o Post na pagina de facebook de Gabriel Pensador, entre os vários comentarias feitos a seguir, destacamos o comentário a seguir feito pelo musico do qual fizemos um “copy” respondendo aos seguidores mencionados a seguir:

Gabriel Pensador1
Domingos Razão Miguel Carvalho Rolim Montenegro Rebelo Ermognóstico Girinha Costa Noslin Onurd Nelson Andrade Joana Tem Dias Dago Nível Intelecto Ricardo Rms Alfredo Mality Linhas Romanas Alexandre Costa Catarino Lirio Faria Nadham Messaouidi Edivaldo Hustle Mohammed Manuel Manuel William Paciência Paciência Hillário Diiamäntiino Manuel Bento Emilia Kaiser Zacarias Bernardo Pac G Tito Kalunga José Jose Miguel Sauca Kiamba Uimgui Alemão Do Arraso

com respeito (de verdade) vou ser mais claro e sucinto, como pediu alguém que não ficou satisfeito com a minha resposta à carta que pedia que eu não fosse a Angola.
Mas antes deixa eu fazer um desbafo: estou decepcionado com a atitude agressiva de alguns de vocês, que presumem algumas coisas das suas próprias cabeças e se sentem no direito de transferir sua raiva do sistema e tudo mais contra mim! Estava (ainda estou, mas já um pouco menos) empolgado com a ida a Angola, e por isso aceitei ficar longe dos meus filhos no dia do meu aniversário, o que para mim não é um problema, mas para eles sim, principalmente o mais novo, e os dois têm sentido muito a minha ausência e eu a deles. Mas fazia tempo que não ia ao vosso país e por usso aceitei logo o convite e gostaria até de ficar mais tempo se não tivesse um show no dia 6 já marcado no Brasil. Se eu pudesse, cancelava este show para FICAR MAIS EM ANGOLA. Acontece que nós não podemos cancelar shows assim quando nos dá na telha. Isso eu pensei que fosse mais fácil de todos entenderem!
Eu poderia apenas responder à carta dizendo que NÃO POSSO CANCELAR, mas prefiro ser sincero expôr minha opinião. Se estiver errada, de acordo com o que vocês pensam, tentem não exagerar nas suas reações. Fiquei frustrado ao ver pessoas de um país que eu amo sentindo raiva de mim e “decepção”, ao meu ver sem razão, mas saibam todos que eu vou continuar amando os angolanos como aprendi a amar desde o primeiro dia em que pisei nessas terras. E tenho orgulho de ser descendente de uma mistura que inclui os genes angolanos, com toda essa paixão, essa pureza, essa garra, que ditadura nenhuma vai poder eliminar do sangue de vocês. Por essas características, entendo as reações mais agressivas, mas fico, eu, decepcionado também com os que reagiram assim.
Mas vamos lá, esclarecendo os pontos:

1- eu discordo totalmente da ideia de um boicote como forma de protesto neste caso pois o show não é do governo (isto caso eu quisesse protestar).
2 – eu recebo pedidos para apoiar causas específicas de presos políticos e outras semelhantes no Brasil e tenho o direito de apoiá-las ou não, e neste caso eu escolhi não me envolver diretamente, repito, EU ESCOLHI NÃO ABRAÇAR A CAUSA DE UM GRUPO DE PRESOS POLÍTICOS QUE EU NÃO CONHEÇO E SOBRE OS QUAIS EU SEI MUITO POUCO. Se para vocês isso é traição, eu discordo! E o fato de não aderir a uma sugestão de cancelamento de um show meu, cujo contrato eu nem poderia descumprir, não significa apoio ao governo no caso destas prisões, que pelo que eu soube parecem mesmo arbitrárias e abusivas.
3 – se querem saber (teve gente que questionou isto), o cachê deste show é INFERIOR aos últimos que o meu empresário recebeu em Portugal, onde temos vários shows previstos este ano. Não faço meus shows pelo dinheiro, isto vem como consequência, faço sim com muito prazer de levar minhas mensagens e também de fazer as pessoas se divertirem, ricos ou pobres, e acredito sim que a música tem o poder de unir pessoas e provocar reflexões.
4 – Lamento que haja gente que queira apagar minhas músicas ou deixar de ouvir. Quem quis me atingir com isto, conseguiu, fiquei mesmo triste ao ler estas frases, mas é um direito deles, assim como eu tenho direito de tomar minhas decisões e fui muito educado e atencioso ao responder a carta respeitosa que recebi do grupo que teve a ideia do cancelamento.

Agora, sem ironia, eu gostaria de dar um exemplo hipotético:
Os Rolling Stones vieram ao Brasil. Atletas olímpicos virão também. Escritores, diretores de cinema, sempre tem alguém de nome forte internacional vindo… Imaginem que eu e um grupo de amigos nos juntamos por uma causa importante (AQUI TAMBÉM TEMOS PROBLEMAS GRAVES, crianças morrendo, hospitais falidos, violência, poluição, desmatamento, matança de índios, coisas absurdas!) e que por alguma razão nós escolhemos um destes ídolos/ícones que demonstra em seu trabalho ser avesso a estes absurdos (quem não seria?). E então nós decidimos fazer uma carta aberta para esta pessoa três dias antes do seu compromisso no Brasil(!), torcendo muito para que ele cancele sua vinda, dando razão aos nossos argumentos e gerando uma polêmica que achamos que vai nos ajudar. E então este artista, poucas horas depois da divulgação da nossa carta, pára tudo o que estava fazendo e nos responde atenciosamente, publicamente, explicando que não pode e não quer cancelar sua vinda.
Vocês sabem o que eu iria fazer?
Eu respondo:
Tentaria entender e respeitar a opinião dele! Afinal estamos falando de liberdade de opinião.

Mais uma vez, para todos que estão lendo: estou muito feliz por poder voltar a ANGOLA!
DESEJO SÓ COISAS BOAS PRA TODOS, incluindo os presos políticos, que pelo que entendi não fizeram mal a ninguém. Mas não vou voltar a este assunto. Releiam meu texto. É uma escolha minha. Obrigado pela compreensão.

Obs: o repertório do show é livre. Ninguém me perguntou o que eu iria cantar. A duração será de uma hora e estou pedindo para esticar um pouquinho mais. O set list deve ser o mesmo que venho cantando no Brasil, talvez incluindo O resto do Mundo. Não estou indo fazer um comício, mas sim um show. Entendo que todos queiram opinar e pedir músicas mas é impossível atender a essas sugestões. Espero fazer o melhor, sentir emoções fortes e inspiradoras como das outras vezes em que estive aí. Aprender com vocês, dentro e fora do palco, e reforçar a admiração que tenho por este povo.

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Sobre o Festival “Sons do Atântico”
O Sons do Atlântico é o mais internacional dos festivais nacionais. Todos os anos, leva aos palcos da Baía de Luanda algumas das melhores músicas que se fazem em Angola e no mundo. Criado em 2012, actividade conta com patrocínio directo do Banco Privado Atlântico e já contou com as participações de :
Em 2013 o Sons do ATLANTICO reuniu os cantores Angolanos mais destacados do ano, Yuri da Cunha, Dj Djeff, Matias Damásio, Big Nelo, Ary e Bruno M. Luanda contou ainda com cantores internacionais como: P-Square (Nigéria), Vanessa Camargo (Brasil), Sara Tavares (Cabo Verde), Beto Dias (Cabo Verde).

Em 2014 o festival reuniu num palco, artistas nacionais como Matias Damásio, Pérola, Yuri da Cunha, Anselmo Ralph, B4 e Dj Djeff, e também presenças internacionais: Ivete Sangalo (Brasil), Micasa (África do Sul) e Livity (Cabo Verde).

Em 2015 o festival juntou numa dinâmica de dois palcos os cantores Kassav e Ary, Paulo Flores e Matias Damásio, Puto Português, Yannick Afroman, Seu Jorge e Mart’nália, Dj Djeff, Heavy K, Mpumi e o grupo Batoto Yetu.

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